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Comunicação Corporativa
[ 05/04/2005 ]

Evoluindo com o conhecimento
por Bárbara Hartz

Compartilhar tem sido uma palavra-chave nesse nosso novo mundo digital. Neste artigo, Bárbara Hartz, jornalista e diretora da HARTZ, revela a sua própria experiência com a sua aplicação na administração da empresa.

Carregar um briefing de um cliente bem guardado entre os pertences pessoais já foi motivo para um profissional de comunicação sentir-se tão poderoso quanto aquele antigo médico de família a quem se confiava a vida de um ser amado em algum momento crítico. Nem o executivo do nosso cliente tem tempo hoje para repetir a informação a outros profissionais da mesma agência nem nós nos contentamos mais com uma única opinião médica quando o problema é de saúde. Quem estiver em busca de sensações de poder que coma chocolate ou vire um maníaco de academias perseguindo endorfinas e serotonina.

Para nós, das agências de comunicação, o que funciona é a informação compartilhada, em que um único briefing pode ser o ponto de partida para uma equipe multidisciplinar de profissionais trabalhar e realizar o seu trabalho, cujo resultado varia de um evento a institucionais, campanhas de relacionamento com clientes e a mídia ou outras formas de comunicação a que a imaginação chegar. Para o médico resta o prontuário, com o máximo de informações sobre o paciente e de fácil acesso a outros profissionais que possam comprovar ou modificar o diagnóstico.

Na área da comunicação corporativa em que eu me encontro, o compartilhamento de informações parece ser o ponto crítico de uma série de mudanças comportamentais requeridas para que se possa atender simultaneamente o cliente, em alguns casos, a demanda dos jornalistas, e os requisitos para manter a competitividade da agência. Dentro da empresa, “nada de cadernos e de agendas pessoais”. A informação tem de habitar um meio digital, de preferência, sem riscos de ser mal interpretada pelas equipes que a utilizam por causa da letra do assessor ou relações públicas. Tem de ficar segura, mas acessível, com arquivos e pastas de nomenclatura conhecida, que podem facilmente ser identificados e localizados por essas equipes ou ainda backupeados.

Parece simples. Mas, acreditem, conheço casos em que foram necessários meses para um assessor – ou comunicador, como queiram – adotasse uma nomenclatura específica para arquivar a sua produção. No caso de profissionais com formação jornalística ou RPs, acostumados com a originalidade como diferencial, a lógica da produção por processos e que lida com documentos-padrão nos moldes dos templates para servir de base ao seu trabalho, a princípio, é conflitante. Brasileiros em geral são bastante avessos a padrões, eu diria. Mas, com o tempo e a rotina de uma agência de comunicação corporativa que pratica a gestão do conhecimento*, o trabalho acaba sendo bem mais fácil e produtivo. Nela, encontram-se com facilidade nos arquivos, por exemplo, um roteiro das perguntas que não podem faltar em um briefing para clientes de A a Z, um modelo de relatório ou de planejamento criado para cada cliente e manuais diversos. Um dia o profissional acaba percebendo que aquela é justamente a praia dele, pois seu dia-a-dia sempre foi o de explicitar conhecimentos e transformar acervos intangíveis em tangíveis. E os proprietários agradecem, pois ficar “reinventando a roda”, para usar a expressão costumeira de um dos gurus internacionais da matéria, o professor e consultor José Cláudio Terra, implica em remunerar horas-homem que não renderam para o caixa da empresa e também não contribuíram para a satisfação do profissional em perceber-se produtivo.

Vencidas todas as resistências, dá para chegar até aí somente com o apoio de uma boa infra-estrutura de escritório moderna e algum aplicativo específico de software. Um pouco antes da bolha da Internet ou durante a sua existência, surgiram ainda os websites como solução para compartilhar externamente fotos, press releases, artigos, casos de sucesso e outros. Em algumas situações, somente a sala de imprensa do site do cliente e suas vizinhanças faziam ou ainda fazem essa extensão do trabalho da agência. Porém, com a tendência de agregar valor via os serviços de consultoria nas agências e de intensificar o aproveitamento de seu próprio conhecimento acumulado para cases comuns, que podem estar espalhados em unidades pelo mundo ou mesmo em parceiros, entre outros, as ferramentas têm de ser ampliadas. Entram em cena, então, os portais corporativos com muito mais recursos para compartilhar informações de forma segura, reunir tecnologias diversas e oferecer recursos personalizáveis.

Nesse novo ambiente, entre o real, o virtual e muito conhecimento a ser transformado em informação, funcionários, colaboradores e mesmo parceiros precisam encontrar motivação para colaborar com departamentos diversos e interempresas, usando a sua criatividade para inovar na execução dos serviços e evitar o engessamento de processos. Como pensar, criar e ser muito produtivo de uma forma bem equilibrada, como a que a ocupação exige? O jeito é arrumar tempo para freqüentar uma academia ou escola de dança... mas, no modo light, alongando, alongando...

* Nota: Segundo o professor de MBA de Gestão do Conhecimento da FIA-USP e da E. M. Lyon, da França, e presidente da TerraForum, José Cláudio Terra, Gestão do Conhecimento significa organizar as principais políticas, processos e ferramentas gerenciais e tecnológicas à luz de uma melhor compreensão dos processos corporativos. Esses processos compreendem os de geração, identificação, validação, disseminação, compartilhamento e uso dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados para a empresa e benefícios para os colaboradores.

Para ser praticada, a Gestão do Conhecimento (GC) depende da necessidade de uma dupla perspectiva: o ponto de vista da empresa e o dos funcionários, que passam a ser vistos como trabalhadores do conhecimento. O conhecimento, por ser social, depende da interação com outros e é criado e recriado a todo instante, enquanto a informação possui uma natureza mais imutável.


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