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Social Media
[ 03/10/2007 ]
Free Burma: movimento e ação mundial de blogs
por Redação
A liberdade é um valor essencial para a internet e a democracia. Os monges de Myanmar, uma ex-colônia britânica chamada anteriormente de Birmânia, mobilizam-se para recuperar uma e outra. Na Web, há wikis em torno do tema e um movimento convoca todos os blogs do mundo para que seja publicada uma única mensagem, no dia 4 de outubro, em favor das liberdades civis naquele país. A equipe da HARTZ pesquisou e revela os fatos que levaram a blogosfera a voltar a sua atenção para lá.
Em 15 de agosto, o governo local – uma ditadura militar – aumentou o preço dos combustíveis. Gasolina e diesel duplicaram seu custo, o gás (usado em ônibus), subiu cinco vezes. Isso forçou uma elevação das tarifas dos transportes públicos, além de um efeito-dominó nos preços dos gêneros de primeira necessidade. Cerca de 400 ativistas pró-democracia fizeram o primeiro protesto de rua em muitos anos em Rangun, a capital, no dia 19. Os militares reprimiram duramente a manifestação, mas isso só serviu para insuflar mais protestos, também em outras cidades.
Aí entram os monges: após violenta repressão contra um ato pacífico em Pakokku, em 5 de setembro, três religiosos ficaram feridos. Em resposta, os monges ocuparam a sede do governo local, tomando funcionários como reféns e exigindo uma desculpa formal oficial até o dia 17. Como o governo nada respondeu até o prazo estabelecido, os monges intensificaram suas demonstrações dia após dia, até que milhares deles estavam nas ruas. A antiga Birmânia é um dos países mais religiosos da Ásia, com seus belíssimos templos milenares, e os monges são altamente respeitados em todo o país. O clero sempre teve grande influência nos negócios de Estado. Sua alta hierarquia recusa-se a condenar os protestos, apesar das pressões militares.
Mas tudo isso por causa de um pedido desculpas? Na verdade, a repressão daquele dia foi apenas uma fagulha que incendiou o país já potencialmente explosivo. A Aliança dos Monges Budistas Birmaneses, que coordena os protestos, lançou um manifesto no dia 21 de setembro, descrevendo o governo militar como “inimigo do povo”. Os religiosos, espalhados por todo o país, são testemunhas diretas do alto grau de pobreza e dificuldade em que vive a maioria da população. A Aliança promete manter sua luta até “varrer a ditadura militar de nossas terras”. Para firmar esse compromisso, uma das passeatas passou em frente da casa de Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz e símbolo da luta democrática, hoje sob prisão domiciliar.
Os primeiros protestos não contaram com a participação do cidadão comum, provavelmente temeroso das retaliações, segundo analistas. Mas o medo se dissipou e nos últimos protestos se viam grandes quantidades de pessoas de mãos dadas, cercando e protegendo a marcha dos monges. No dia 24, milhares se manifestaram no centro de Rangun, a chamado dos religiosos. Dirigentes da Liga Nacional pela Democracia, partido de oposição que se mantinha alheio, aderiram aos protestos.
A ditadura reage com repressão. Decretou o toque de recolher durante a noite e milhares de soldados patrulham as ruas das cidades. O acesso à Internet e aos telefones celulares foi bloqueado, mas as imagens televisivas de militares espancando manifestantes correm o mundo. Dia 27 foi o pior momento: o número oficial de mortos é nove, mas se acredita que muitos mais foram mortos.
Qual a reação internacional a essa luta? Os Estados Unidos apertaram as sanções econômicas e diplomáticas contra a ditadura birmanesa e, ao lado da União Européia, pedem uma resposta da comunidade mundial. Mas ambos têm pouca influência sob a junta, assim como as sanções vigentes há anos. A China, mais próximo aliado de Myanmar, fez um apelo protocolar para se evitar a violência, mas manteve sua resistência em intervir nos negócios internos de outro país. Assim agiram também Rússia e Índia, outros países com maior influência na região. A ONU enviou um representante para observar a situação, mas seu relatório só ficará pronto nas próximas semanas.
Ou seja, as instâncias tradicionais estão reagindo de forma lenta ou mesmo, em alguns casos, omissa. Enquanto as ações efetivas demoram, entidades da sociedade civil e blogueiros aliam os recursos da Web 2.0 e a sua identificação com os valores da liberdade para mobilizarem-se em defesa dos monges que lutam pela democracia. Entre as ações, uma delas propõe que todos os blogs do mundo façam um único post no dia 4 de outubro por “Free Burma”.
Free Burma:
http://www2.free-burma.org/index.php#join
Outros endereços úteis:
http://www.freeburmacoalition.org/
http://www.burmacampaign.org.uk/index.php
http://www.irrawaddy.org/
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