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Cadeira Kioto: design, sobras de madeira e fibras naturais

Divulgação
[ 02/05/2008 ]

Inovação, sustentabilidade & lucros: um desafio
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A inovação aliada ao combate dos efeitos do aquecimento global e a uma produção lucrativa é o próximo patamar a ser alcançado pela indústria. Em áreas criativas como o design, a economia verde começa ocupar o centro das preocupações. Consciência ambiental foi uma das tônicas da Semana de Design de Milão 2008, realizada de 16 a 21 de abril. No rastro da mostra internacional, uma exposição naquela cidade expôs os produtos da Floresta Móbile, um projeto de design ítalo-brasileiro para exportação desenvolvido no Nordeste e fundamentado na sustentabilidade.

“O desafio é tornar os negócios verdes cada vez mais lucrativos". A frase resume uma das principais buscas do nosso tempo e sua autora é a economista e conselheira de mudanças climáticas da Direção de Meio Ambiente da OCDE, Jan Corfee-Morlot, publicada na edição de domingo no jornal “O Estado de S. Paulo” (27/04/2008).

Jan contradiz quem pensa que esta discussão está muito longe da nossa realidade local e diz respeito somente aos países mais ricos do mundo. Até 2030, os emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China – causarão mais estrago que todos os 30 países mais ricos, teria previsto ela, segundo o jornal.

Um exemplo brasileiro de produção ambientalmente sustentável para reverter essa tendência, o programa Floresta Móbile, foi criado pelo Instituto Brasil Design 21 e pelo Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra), em parceria com a Escola Italiana de Design. Conta com o apoio diversas instâncias governamentais do Nordeste, entre eles o Governo do Ceará, bem como do CEART-CE e diversos outros parceiros nacionais e internacionais. O Floresta Móbile prevê o aprimoramento dos produtos artesanais das comunidades de baixa renda nas cidades do Nordeste, com a ajuda técnica da escola italiana, e parcerias com redes de distribuição de móveis italianos para sua comercialização em mercados internacionais. Além disso, programa reinvestir 3% do total obtido com as vendas dos produtos, na produção de mudas de reflorestamento nativo.

Cadeira Kioto

Ícone do projeto, a cadeira Kioto (foto) é fabricada em uma pequena marcenaria em Açailândia, no sul do Maranhão, e confeccionada a partir de sobras de madeira, com estofamento em fibras naturais, trabalhadas pelas artesãs da favela do Pirambu, em Fortaleza. Lançada na mostra “Brasil – Design do Século 21”, que ocorreu de 21 a 24 de abril em Milão, na Itália, logo após o 47º Salão do Móvel de Milão, junto com outras peças, compõe um portfólio levado à Europa para representantes e contatos comerciais, que já deu resultados.

Cinco cadeiras Kioto foram vendidas ainda em abril para o italiano Roberto Ferroli, dono de um luxuoso hotel-resort no Ceará e um dos mais sofisticados do Brasil, em Camocim, junto de Jericoacoara, para serem usadas nas praias brasileiras, perto de onde foram produzidas.

A diferenciada produção dos móveis e objetos do Floresta Móbile descarta materiais como plástico e sintético e utiliza apenas recursos renováveis do meio-ambiente, sintetizando, na opinião de seus criadores, um novo design contemporâneo, pós-industrial, voltado para as contradições do século 21.

“A harmonia entre o formato elegante e a rusticidade das fibras naturais e dos blocos de madeira com texturas e tamanhos desiguais revela um design original, produzido com baixíssima tecnologia e alto índice de mão-de-obra, algo viável economicamente somente em regiões de baixo desenvolvimento”, declara o arquiteto Marco Ricciopo, um dos coordenadores do projeto. Segundo ele, “esse modelo de produção garante geração de emprego e renda diretamente em comunidades vulneráveis”.

Certificação inovadora

A certificação do projeto Floresta Móbile é para o produto e não para a madeira, como normalmente ocorre, e baseia-se em um processo denominado Certificação Comunitária Direta. Para implementá-lo, será criada, a partir da mostra em Milão, uma Cadeia de Custódia provisória, formada por comunidades das zonas rurais e de periferias, técnicos de várias áreas e instituições – a exemplo da Escola Italiana de Design, São Luís Convention & Visitors Bureau e Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento do Nordeste Brasileiro.

O modelo de certificação estimulou compradores na Itália, como Giovane Tremolata, destacado nome da marca Cassina e de outras marcas de design italiano, a se interessar em colocar a cadeira Kioto e outros produtos com design brasileiro no mercado europeu. “São móveis muito interessantes e contemporâneos e a proposta de certificação comunitária é um poderoso instrumento de marketing na Europa”, disse Tremolata.

O sociólogo e fotógrafo Robson Oliveira, também coordenador do projeto, acompanhou a mostra em Milão e anuncia que foram feitas diversas parcerias para a representação comercial dos móveis brasileiros na Europa. Lojas nas cidades de Roma, Varese e Milão, funcionarão como show rooms e espaço de promoção e de comercialização. “A Itália está entrando com estratégias de marketing e comercialização e a escola italiana está participando com o desenvolvimento técnico para aprimoramento do produto”, revelou. A ITANE – Agência Italiana de Cooperação para Desenvolvimento do Nordeste – também tem forte papel no contato com investidores italianos, arquitetos e grandes grifes de mobiliário internacional e participa da promoção dos móveis.

A cadeira Kioto e outros objetos do Floresta Móbile da mostra passarão por outros locais na Itália e, em junho, estarão no evento “Amazônia Brasil New York City 2008”, nos EUA.

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