 |
| Obama com os jornalistas na Casa Branca |
Imprensa e Web 2.0
[ 12/03/2009 ]
Inovar, voltando ao passado
por Paulo Eduardo Nogueira
Neste artigo escrito com exclusividade para a HARTZ, o jornalista especializado em politica internacional Paulo Eduardo Nogueira analisa o relacionamento com a imprensa do presidente dos EUA, Barack Obama. Ressalta nele os desafios e as mudanças que apontam para um novo paradigma em política.
O presidente Barack Obama pretende inovar nas relações com os jornalistas que cobrem as atividades da Casa Branca. Já na sua primeira semana como presidente, fez uma visita inesperada ao comitê de imprensa, para conversar informalmente com os jornalistas. E pediu que não fizessem um “interrogatório” nessas ocasiões, mas simplesmente conversassem descontraidamente sobre assuntos variados. Enfrentando os maiores desafios para um presidente americano nos últimos 70 anos, Obama terá também de quebrar tradições que já duram mais de meio século na Casa Branca.
O relacionamento distante e formal com a imprensa foi consolidado na gestão de Dwight Eisenhower ainda nos anos 50. Seu secretário de imprensa, James Haggerty, optou por colar em Eisenhower uma imagem distanciada de um comandante invencível, que respondia a perguntas da maneira mais formal, no pódio, apenas em ocasiões especiais. Curiosamente, essa tática de lidar com a imprensa foi mantida por todos seu sucessores até agora. Mesmo que essa postura criasse uma situação de confronto, com presidente e jornalistas em posições físicas diferenciadas e simbolicamente antagônicas.
A inovação de Obama, porém, tem um paradigma no passado, aliás, no presidente com o qual tem sido comparado: Franklin Delano Roosevelt. O lendário FDR cumpriu quatro mandatos de presidente, antes que a legislação só autorizasse uma reeleição, e foi um dos líderes com cobertura mais positiva que a Casa Branca já viu, conforme avalia a especialista Jean Edward Smith para o New York Times. Seus antecessores, Calvin Coolidge e Herbert Hoover, só respondiam a perguntas encaminhadas por escrito e, mesmo assim, vetavam as inconvenientes.
Roosevelt nunca se negou a falar, embora preferisse não ser citado pessoalmente, atribuindo-se a informação a fontes do governo. Tratar carinhosamente os jornalistas era prioridade de Roosevelt: em sua primeira entrevista coletiva, em 1933, o presidente cumprimentou cada um dos 125 jornalistas presentes. Nada declarou de excepcional, mas a entrevista obteve grande repercussão. Ex-editor-chefe da Harvard Crimson, Roosevelt considerava-se um ex-jornalista, assim como Obama foi editor-chefe da Harvard Law Review – uma experiência que poderá lhe ser útil no trato com a imprensa.
Outra inovação obamista foi a nomeação de um jovem de 27 anos como o principal redator de seus discursos. Enfrentando uma crise sem paralelos recentes, Obama precisará de muita ajuda para tornar claras suas idéias e mensagens. Jon Favreau tem essa missão. Ele acompanha Obama desde 2005, quando o presidente assumiu uma cadeira de senador por Illinois. “Favs”, como é chamado pelos amigos e subordinados, conhece tanto o pensamento de Obama que o presidente o chama de “telepata”, sendo necessária pouca discussão para chegarem a um consenso. Mas ele não é o mais jovem redator de discursos da Casa Branca: o título pertence a James Fallows, que trabalhava para Jimmy Carter e era dois meses mais jovem que ele. A fórmula de seus discursos é simples: “Conte uma história. Essa é a principal parte de qualquer discurso, mais do que qualquer frase feita. Um discurso conta uma história do princípio ao fim? Então funciona”, disse Favreau ao Chicago Tribune.
Mas a grande inovação de Obama se deu ainda na própria campanha eleitoral, com o uso das possibilidades da Web 2.0. Até então, nenhum candidato havia explorado de maneira tão eficiente esse recursos. Pode-se dizer que se mudou não só a forma de campanha, como também de governo daqui para frente. Antenada com os novos recursos,a campanha de Obama não se utilizou apenas dos vídeos do YouTube ou de plataformas como o MySpace e Facebook. Segmentou seus apoiadores, enviando mensagens de texto para os mais jovens e e-mails concisos para os mais velhos, atualizando a todos diariamente sobre os principais fatos ou mensagens e economizando fortunas em comerciais de TV.
Na reta final da eleição, a campanha online mobilizou com e-mails ou SMSs os eleitores para comparecerem às urnas e levarem os amigos. Quando alguém navegava nos sites da campanha, um cookie era instalado em seu browser e o comitê ficava sabendo assim dos sites anteriormente visitados e das preferências do eleitor, o que servia de base para a produção de conteúdos especiais. É o chamado targeting de comportamento online. E essa rede montada por Obama pode influenciar futuras decisões de governo – uma inovação que mudará a política tradicional.
Conheça esta iniciativa da HARTZ:
www.comunidadedainovacao.com.br
|