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| Google: monstro ou monstrinho? |
Imprensa e Web 2.0
[ 23/04/2009 ]
A Guerra do Google
por Paulo Eduardo Nogueira
O jornalista especializado em política internacional Paulo Eduardo Nogueira aborda nesta série exclusiva para o site da HARTZ o atual conflito entre a imprensa tradicional e a Web 2.0 capitaneada pelo Google. Dentro de uma polêmica que vem se acirrando, ele mostra em sua análise a importância de uma visão inclusiva para substituir a de confronto. Leia e mande-nos também a sua opinião sobre o tema.
Nem só no Iraque e no Afeganistão os Estados Unidos se enredam em conflitos armados. Também em território americano se declarou uma guerra, ainda que verbal: Google/blogs versus jornais impressos. A contagem de baixas já começou: Rocky Mountain News, Seattle Post Intelligencer, e, talvez em breve, o San Francisco Chronicle e o Boston Globe. Atribui-se o fechamento em série de jornais tradicionais ao buscador mais popular do mundo e aos blogs que republicam conteúdos (os chamados agregadores de notícias). Esse é o tom da convenção anual da Newspaper Association of America (NAA) realizada recentemente.
O editor-chefe do Wall Street Journal, Robert Thompson, chegou a comparar o Google com parasitas intestinais! Henry Potter, editorialista do Observer, de Londres, seguiu a mesma linha, acusando o Google de ser um “parasita que nada cria” e uma “ameaça amoral” por estimular a promiscuidade intelectual e difundir a crença de que tudo na Web deve ser gratuito. Dean Singleton, presidente da Associated Press (agência mantida por um consórcio de jornais americanos), exige providências legais contra o que chama de apropriação indébita do conteúdo produzido pela AP por sites agregadores de notícias e buscadores. “Não podemos mais ficar imóveis e ver outras pessoas surrupiarem nosso trabalho com base em teorias legais duvidosas e equivocadas. Estamos fulos da vida e não vamos aceitar isso”, vociferou Singleton.
O contra-ataque veio rápido. E igualmente virulento. Jeff Jarvis, do Buzz Machine, escreveu uma longa resposta acusando a indústria jornalística de ser a responsável pela própria queda e jurou desejar demolir a AP, esmagar seus destroços e espalhar suas cinzas no solo. Eric Schmidt, o presidente do Google, enfrentou as feras da convenção da NAA, propondo um armistício nessa guerra. Afirmou que o Google procura refinar suas buscas para “marcas de maior credibilidade”, o que favorecerá os jornais tradicionais. Isto, porém, pode demorar: com mais de 100 milhões de blogs pendurados na rede, as buscas muitas vezes privilegiam um blog fajuto que se hospede, porém, em um agregador de grande visibilidade.
Robert X. Kringley, analista da InfoWorld, salomonicamente avalia que ambos os lados estão certos e errados ao mesmo tempo. “Os jornais se afundaram mesmo. Mas os blogs se refastelam no bufê da Internet há anos sem se preocupar em pedir a conta. E o Google é o garçom que não para de trazer pratos limpos para mais comilança”, avalia. E ironiza: “Que tal o Google comprar a AP e encerrar o assunto?”
Tal polêmica, infelizmente, se desenvolve de maneira distorcida, sobretudo do ponto de vista dos blogs. Execrar a “grande imprensa” ou “velha imprensa” como um simples modelo de negócios ultrapassado é reduzir o papel histórico dessa instituição vital da democracia.
No Brasil, por exemplo, de uns tempos para cá políticos e partidos se referem à imprensa como “mídia”, pondo no mesmo saco jornais centenários e outdoors – afinal, tudo é mídia. É uma forma de menosprezar o chamado Quarto Poder. Daí a defender a censura, os conselhos para “disciplinar” o jornalismo e leis draconianas contra os jornalistas é um passo. Perderia a democracia e perderia a sociedade. Como escreveu Eugênio Bucci no Observatório da Imprensa, “a imprensa é a melhor forma que temos de controle social”. E arremata: “A imprensa é sensível para as necessidades do público, é especialmente sensível para as carências e aspirações da sociedade. Ela vive disso. Exatamente por isso, ecoa de modo relativamente eficaz os reclamos dos cidadãos”.
Quando blogueiros falam em “demolir” os órgãos tradicionais se esquecem do papel institucional da imprensa. Pode ser só uma frase de efeito, mas de um efeito deletério para a verdadeira democracia.
Conheça esta iniciativa da HARTZ:
www.comunidadedainovacao.com.br
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