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Política e Web 2.0
[ 25/05/2009 ]

Políticos desembarcam na Web 2.0
por Paulo Eduardo Nogueira

Os políticos brasileiros já não resistem mais à Web 2.0. Pudera, para quem vive de exposição pública, a diversidade de ferramentas disponível atualmente é um atrativo e tanto... Mas o jornalista especializado em política internacional Paulo Eduardo Nogueira levanta algumas questões sobre a sua utilização pelos políticos.

Era só uma questão de tempo para que o enorme sucesso da campanha de Barack Obama na utilização dos recursos da Web 2.0 contagiasse colegas no restante do mundo. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já desenvolveu seus canais de comunicação com o eleitor na rede mundial.

O “efeito Obama” também já chegou ao Brasil – e ao topo do poder. O presidente Lula já encomendou a seus assessores de comunicação o projeto de um blog, de um canal no YouTube e um perfil no Twitter. Inicialmente, Lula deverá assinar apenas seu blog, que, segundo os responsáveis pelo projeto, terá linguagem “descontraída e informal” (o que não deverá exigir grande esforço do presidente). Ressalvam que não se trata do “blog do Lula”, mas da instituição presidência da República. O lançamento ainda não tem data definida, pois ainda se testam os formatos mais eficientes. Ironicamente o processo se acelerou em fevereiro, quando alguém criou um perfil falso do presidente no Twitter e obteve um número enorme de acessos, alertando os conselheiros de Lula para a importância do meio.

Mais acelerado foi o governador José Serra, que no dia 18 de maio lançou seu “microblog” pessoal. Em três dias quase dobrou o número de acessos (de cerca de mil na estréia para 1.750 no dia 21). O diário virtual do notívago Serra inclui comentários disparados de madrugada, ao som de “Across the Universe”, dos Beatles, segundo ele mesmo. O Palácio dos Bandeirantes teve até de confirmar sua autenticidade, pois circulavam pela rede mais de 10 perfis falsos do governador. Porém, na primeira semana, ele começou se desculpando por não ter tempo de responder a todas as mensagens.

Saberão nossos políticos utilizar com eficiência os meios de Web 2.0 e sem deturpá-la? O pioneiro na área foi o ex-prefeito do Rio César Maia e seu famoso blog. Mas ele dedicava tanto tempo ao diário que foi acusado de negligenciar as tarefas do cargo ao qual se elegeu. “O prefeito não tem um blog; o blog é que tem um prefeito”, ironizavam os cariocas. Ou seja, não basta ser moderno, é preciso saber usar os instrumentos que a modernidade oferece. Sobretudo por uma questão de geração. A maioria dos políticos vem de uma geração pré-internet e os sites por eles mantidos são muitas vezes fósseis virtuais, congelados no tempo, sem atualizações. De que adianta a interatividade se o dono do canal não interage?

Outro desafio é absorver os comentários críticos. Por ser o meio de comunicação mais democrático já inventado, a Internet abriga gente de todo o tipo, inclusive os grosseiros e estúpidos, que trocam o argumento pela ofensa. Como o político lidará com isso? Sempre é possível mediar os comentários, mas então brotam as acusações de “censura”. Mesmo as críticas em tom respeitoso e fundamentado podem ser bastante desgastantes e assim o canal criado para promover o político produz um resultado oposto. Enfim, bem-vindos à web 2.0. Mas fiquem espertos.


Nota: uma utilização interessante da interatividade entre o poder público e a sociedade civil, permitida pela Web 2.0, está sendo proposta pela Prefeitura de São Paulo ao criar o blog “Gerência da Paulista – Uma nova forma de zeladoria”, para que os cidadãos possam acompanhar a conservação da avenida, deter o vandalismo e propor melhorias. A iniciativa é da Gerência da Avenida Paulista e também se estende ao Twitter.

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