|
Web 2.0
[ 10/08/2009 ]
Fake: da diversão à ameaça social
por Bárbara Hartz
A wikipedia tem uma interpretação para a atuação do fake, mas o uso da Internet evolui tão rápido que exige uma reavaliação constante de tudo que se passa nas suas vias digitais.
Leia mais no artigo de Bárbara Hartz.
O fake, aquela pessoa que usa uma identidade falsa para navegar nas midias sociais, é um produto tipico do mundo virtual. Combina a sagacidade humana, e às vezes a criatividade, com os poderosos recursos interativos da tecnologia da Web.
Nos estágios tecnológicos anteriores, como os da primeira fase da Internet que costumamos chamar de Web 1.0, havia pouco espaço para ele. Eram os tempos da Web unidirecional, das mensagens de um para todos em que reinavam os sites. Quem queria ampliar a sua presença no mercado o no mundo, colocava um site no ar. Foram os idos dos 90 e do início desta primeira década do novo milênio.
Estáticos ou dinâmicos, os sites veiculavam informações de uma pessoa ou organização para todos que tinham acesso a ele. Alcançavam dezenas de pessoas, milhares ou milhões, dependendo da capacidade de serem divulgados. Não lembro de nenhum caso de alguém sob identidade falsa se expondo na rede com um site, o que não quer dizer que não tenha havido. Falsas empresas vendendo produtos, porém, foram muitas. Eu mesma encomendei um modem nos EUA. O dinheiro foi enviado para lá, mas o equipamento nunca chegou aqui.
Bastou o Orkut se estabelecer, bem como outras redes sociais do gênero, para que o fake ganhasse espaço. No início, talvez, a motivação fosse apenas a molecagem, para zoar ou vasculhar a vida alheia. Sem regras nem leis e praticamente nenhum controle social, no início, era tudo um vasto campo aberto à experimentação a gosto de cada um. Algo que lembra o clima do Carnaval e sua evolução permissiva. ZiriguDUM. DUM. DUM....A coisa deu pé no Brasil e logo os brasileiros passaram a se destacar no uso das ferramentas digitais de relacionamento.
Mas aí vieram os profissionais e os homens de negócio, ponderando: espera aí, relacionamento em ambiente digital pode ser útil para encontrar trabalho ou gerar contratos. Networking, ôpa! Uma nova e mais dinâmica versão da antiga articulação por telefone ou presencial.
Somou-se a idéia do Open Innovation na indústria e a comprovada participação das mídias sociais na eleição do presidente Barack Obama, nos EUA, e WOW! Rapidamente começaram a proliferar espaços mais recatados, como o do LinkedIn, ou de ampla exposição como o do Twitter, enquanto as redes se interconectavam, sem levar boas notícias aos foliões. Surgia no horizonte a quarta-feira de cinzas. O mundo real começava a reivindicar o seu quinhão no virtual. E com ele vinha a necessidade de transparência, que exige como traje a roupa normal e não a fantasia.
Mas o Carnaval já não serve mais como metáfora das mídias sociais de massa, funcionando 24 x 7, dia e noite, sem feriados e fins de semana. Uma nova combinação de dias normais com uma aura psicodélica, que mistura práticas existenciais, mercadológicas, políticas, de cidadania e entretenimento, se impõe. Nela, o fake vai se adaptando e assume diversificados papéis para servir a interesses também diversos que não podem mais desprezar o que acontece na Web. Atua num espectro tão ou mais variável do que o da vida real, da diversão à defesa de causas impopulares ou mesmo criminosas, como é o caso dos pedófilos, tendo em comum apenas o disfarce.
A Wikipedia acredita que a maioria dos fakes ainda assuma essa condição apenas por diversão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fake). Mas a utilização da Web para fins múltiplos, leva a diversidade aos fakes, que podem atuar pessoalmente ou profissionalmente, indo além da molecagem. Manifestar-se politicamente ou dar opinião sobre qualquer assunto, escondendo a identidade real, em uma comunidade como o LinkedIn ou qualquer outra destinada a fins específicos, tende a ser considerado antiético. Pessoas que não querem se expor para manifestar suas opiniões costumam não ter credibilidade na vida real. Em outras comunidades, como o Orkut, porém, podem ser mais toleradas.
Por suas características, as mídias sociais não permitem que se estabeleça um padrão único para todo o seu universo. Normas, regras e uma ética comum podem ser definidos apenas para grupos, comunidades ou redes sociais interconectadas, de acordo com os valores dos seus membros. Quanto mais a vida real penetra na digital, são justamente os valores e a capacidade de participação dos internautas que vão orientar o comportamento nas mídias sociais. Enquanto essa tendência se mantiver, o fake será mais, menos ou até mesmo nada tolerado, de acordo com as variáveis que o cercam e o nosso discernimento para lidar com as situações que criam. Mas estará sob controle. Se ela se inverter, porém, deixando predominar a inteligência artificial que, por exemplo, possibilita a um bandido utilizar um sistema de síntese vocal para se fazer passar por uma pessoa, teremos uma grande ameaça social.
Conheça esta iniciativa da HARTZ:
www.comunidadedainovacao.com.br
Leia outras matérias desta seção, clicando na caixa, abaixo.
|