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| Transportes, entre os vilões do clima |
COP15
[ 15/11/2009 ]
Metas podem contribuir para um novo cenário
por Bárbara Hartz
O Brasil vai levar à 15ª Conferência do Clima da ONU, em Copenhague, a meta voluntária de reduzir de 36,1% a 38,9% as emissões de gases de efeito estufa até 2020 e o Estado de São Paulo tem uma lei sancionada no dia 9 de novembro para as reduções. As medidas representam um avanço em direção à economia de baixo carbono e colocam o país em posição de destaque nas articulações para a conferência, de 7 a 18 de dezembro.
Ainda não se sabe se o pacto a ser estabelecido pelos líderes mundiais na Dinamarca para substituir o protocolo de Kyoto também chegará a um número ou se haverá necessidade de mais doze meses de negociações. A definição de uma meta mundial tem sido considerada como essencial para desenhar um novo planeta que supere o aquecimento global. Ao comprometer-se com cifras e estabelecer acordos internacionais sobre o clima, como o feito com a França, o Brasil entra para valer na corrida verde.
A faixa de percentages estabelecida como meta pelo governo federal refere-se a uma diminuição da emissão de CO2 pelo país em relação à prevista para 2020. A lei paulista tem como meta reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estufa até 2020, em relação a 2005. Isto significa, segundo os primeiros cálculos de especialistas, que o Estado de São Paulo deverá cortar cerca de 5% a mais do que o país como um todo.
No caso de São Paulo, multas e taxações serão aplicadas nas empresas que não cumprirem as metas, contribuindo para que o estado possa reduzir de 122 milhões de tonelada por ano, medidos em 2005, para 98 milhões nos próximos dez anos, de acordo com informações divulgadas à imprensa pelo governador José Serra.
O governo estadual pretende atuar centralmente na área de transporte para garantir o cumprimento das metas. Na esfera federal, o objetivo principal é reduzir o desmatamento, acompanhado de medidas que incluam a recuperação de pastagens, iniciativas relacionadas a energias limpas, com a expansão de hidrelétricas, e em siderurgia, conforme anunciou no dia 13 de novembro a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.
Evitar o desmatamento das florestas, principalmente as tropicais como as do Brasil, Congo e Indonésia, tem sido considerada uma das medidas que mais contribuem para a diminuição da quantidade de dióxido de carbono (CO2)na atmosfera. Nas metas do governo federal, a redução do desmatamento da Amazônia deverá ser de 80% e do Cerrado de 40% até 2020.
Desenvolvimento, gestão e oportunidades
A grande mudança a ser feita para atingir as metas estabelecidas está no modelo de desenvolvimento que deverá contemplar o crescimento e a elevação do padrão de vida das pessoas, preservando o capital natural e não dilapidando-o como se fosse infinito. Isto vale para outros países também, particularmente, quando se trata das florestas, o que exige uma cooperação mundial.
Dentro do debate global, as preocupações com o aquecimento global ajustam o foco no cruzamento entre os problemas ecológicos e o crescimento demográfico. Destacam-se entre as soluções as energias renováveis, novas tecnologias, o consumo consciente e a visão e a gestão corporativa voltadas à sustentabilidade.
Em recente artigo no Estadão, o jornalista Washington Novaes cita a opinião do professor Jesse Aubels, da Universidade Rockefeller. Segundo o artigo, para o professor, a solução para assegurar o abastecimento alimentar sem causar danos à natureza estaria em um conjunto de novos hábitos, processos e tecnologias. Exemplificando, diz que é possível “produzir mais em menos terra, gerar mais energia com equipamentos mais eficientes e não poluentes, replantar florestas, mudar hábitos de consumo (a dieta vegetariana poderia ser viabilizada com metade da área exigida por uma alimentação à base de carnes)”.
Viabilizar mudanças desse tipo requer grandes investimentos da sociedade e dos governos, mas abre uma série de oportunidades para inovadores, empreendedores e mesmo empresas tradicionais dispostas ao alinhamento com a sustentabilidade do planeta. Em São Paulo, que já é um líder da produção do combustível renovável etanol, a lei poderá servir como um estímulo ao desenvolvimento da criatividade e inovação, muito além no cumprimento das exigências legais.
“Tratar da mudança climática é o maior programa de geração de empregos disponível”, afirma Paul Hawken, segundo Michael D. Lemonick em “10 maiores mitos sobre sustentabilidade”, matéria publicada pela primeira dos quatro edições especiais da série Terra 3.0 - Soluções para o Progresso Sustentável da revista Scientific American Brasil.
A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também tem feito afirmações nesse sentido. “Setores de energia solar e eólica e de biomassa podem criar respectivamente 770 mil, 1,175 milhão e 300 mil empregos verdes”, teria dito recentemente a candidata à presidência do Brasil pelo PV, segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo (2/11/2009, Nacional).
Foto: site Carango
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