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Interdisciplinaridade
[ 06/02/2010 ]
Futuro é promissor, mas nada de deslumbramentos...
por Bárbara Hartz
Novas tecnologias e novas formas de abordar o conhecimento não são mais motivos para deslumbramento. Com a ampla circulação atual de informações pelos mais variados meios, o novo passa a incorporar o cotidiano e a sua adoção futura pode ser prevista com relativa precisão. Preparar-se para enfrentar o que virá pela frente passa a ser o grande desafio. Por que não fazer isto com a interdisciplinaridade que desponta nos meios empresariais e universitários?
A rapidez com que as novidades aparecem em nossos dias faz com que seja difícil a sua absorção. Quando estamos tentando nos adaptar a uma inovação em uma área, já aparece outra para ser incorporada ao nosso dia-a-dia. Nessa constante busca pela nossa atenção, a tendência é deixarmos de ser críticos para dar conta de tantos chamados, justamente no momento em que mais precisamos sê-lo.
Para evitar que as inovações possam ter efeitos predatórios por excessos do mercado, como ocorreu com as financeiras que estiveram no olho do furacão causador da crise econômica iniciada em 2008, é preciso ser participativo e identificar desde o início os riscos das aplicações. Precaver-se dessa forma é o grande investimento para o futuro.
No caso da interdisciplinaridade, apontada como um dos grandes transformadores atuais da universidade, e eu diria também das empresas, há uma dupla preocupação com a sua prática configurada em uma única questão, o limite do conhecimento de um profissional em relação a de um outro ou de disciplinas fora de sua área original.
Um dos aspectos envolve saber exatamente qual é esse limite como elemento fundamental para o sucesso da interdisciplinaridade, que representa a transposição da fronteira atual de conhecimento. Ou seja, nada mais nada menos do que criar um novo paradigma para a geração de inovações. Lembro que "o brasileiro Jean Paul Jacob, cientista emérito e professor, diz que em seu laboratório, na Universidade de Berkeley, trabalham lado a lado mais de uma centena de cientistas de várias formações: engenheiros, sociólogos, economistas, psicólogos, filósofos, artistas e muitos outros". Quem faz o relato é o jornalista Ethevaldo Siqueira em sua coluna no Estadão de 24 de janeiro último.
Você já imaginou como seria a convivência entre eles se cada um dos profissionais envolvidos em um projeto não respeitasse o conhecimento do outro? Ou até que ponto cada um deles pode avançar com o seu próprio raciocínio na área do outro? São questões cruciais que também se colocam na constituição de clusters de empresas para a execução de projetos, o que já vivi muitas vezes, com sucessos e fracassos acumulados.
O uso mercadológico da interdiscplinaridade constitui outra abordagem do problema, na qual o limite também é uma questão-chave. Por exemplo, na oferta de cursos que a abarcam. Ouvi há alguns dias a estória de um aluno de uma universidade brasileira que adota a interdisciplinaridade. Segundo soube, ele teria acabado de cursar as matérias necessárias para o Bacharelado em Ciência e Tecnologia e, dentro de um ano, poderia obter o diploma em Ciências da Computação. As perguntas que me ocorreram imeditamente diante do fato são: o profissional a ser diplomado terá formação suficiente para exercer as duas profissões? Qual é o tipo de formação interdisciplinar que pode atender com segurança o mercado?
Perguntas como essa requerem respostas imediatas, pois o nosso maravilhoso novo mundo tem tudo para nos encantar com as possibilidades de exploração do conhecimento por meio da interdisciplinaridade. Mas exige racionalidade e ação para planejar onde queremos chegar com o seu uso.
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