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Design 21
[ 18/04/2008 ]

Cadeira Kioto vai à mostra de móveis brasileiros em Milão

Produzidos a partir de resíduos florestais e sobras de madeira, móveis com design ítalo-brasileiro fazem parte de projeto contra desmatamento e aquecimento global.

São Paulo, abril de 2008 – Brasileiros e italianos uniram sua criatividade, técnica e emoção para transformar restos de florestas e sobras de madeira de cidades do Norte e Nordeste brasileiro em puro design. E estão criando uma arte renovada, sintetizando um novo design contemporâneo, voltado para as contradições do século 21, na mostra “Brasil – Design do Século 21”, paralela ao 47º Salão do Móvel de Milão, de 21 a 24 de abril, na Itália.
Móveis e peças de artesanato fabricadas com o que normalmente seria transformado em carvão, utilizado para cozinhar alimento nas comunidades carentes, transformam-se agora em objetos de arte.
O exemplo é a cadeira Kioto, considerada um ícone desta revolução de conceitos, que cria beleza em meio à miséria e ao caos de localidades do Norte e Nordeste, nas franjas da Floresta Amazônica, onde a mata já foi destruída. Daí o nome Kioto, em referência ao Protocolo que não evitou as agressões ao meio-ambiente.

No lugar de carvão, um bilhão de euros

Nestas regiões, 3 milhões de metros cúbicos de restos de floresta e sobras de madeira, resultado do desmatamento promovido por madeireiras, são queimados anualmente para produzir carvão. É uma alternativa mais barata para cozinhar alimento nas comunidades carentes e nas favelas.
Transformados em móveis, objetos de arte e decoração e comercializados no comércio exterior, eles poderiam render perto de um bilhão de euros anuais, triplicando a renda per capita das comunidades vizinhas à Amazônia, nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí.
O novo design do século 21 substitui o plástico poluente da era industrial e utiliza a madeira da fase pós-industrial para a fabricação de objetos.
A venda dos produtos no mercado internacional para que a renda reverta em favor das próprias comunidades que os fabricam faz parte de um amplo projeto de sustentabilidade na região Amazônica e Nordeste, o Floresta Móbile.
Criado pelo Instituto Brasil Design 21 e pelo Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (EUBRA), em parceria com a Escola Italiana de Design, além de vários outros parceiros nacionais e internacionais, o programa prevê o aprimoramento dos produtos artesanais das comunidades de baixa renda em pequenas e grandes cidades do Nordeste, com a ajuda técnica da escola italiana, e parcerias com redes de distribuição de móveis italianos para sua comercialização em mercados internacionais.
Os coordenadores do projeto Floresta Móbile propõem disponibilizar a tecnologia do projeto a outros grupos para que ele possa ser replicado a outras regiões e países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento que tenham problemas semelhantes.
O projeto prevê , também, o reinvestimento de 3% do total obtido com as vendas dos produtos, na produção de mudas de reflorestamento nativo.
Fabricada em uma pequena marcenaria em Açailândia, ao sul do Maranhão e confeccionada a partir de sobras de madeira, com estofamento em fibras naturais , trabalhadas pelas artesãs da favela do Pirambu, em Fortaleza,a cadeira Kioto foi escolhida por seus criadores para representar uma iniciativa que está produzindo belos objetos de artesanato e de mobiliário em Estados do Nordeste do Brasil com grandes contingentes de população de baixa renda.
“A harmonia entre o formato elegante e a rusticidade das fibras naturais e dos blocos de madeira com texturas e tamanhos desiguais revela um design original, produzido com baixíssima tecnologia e alto índice de mão-de-obra, algo viável economicamente somente em regiões de baixo desenvolvimento. Esse modelo de produção garante geração de emprego e renda diretamente nessas comunidades vulneráveis”, explica o arquiteto Marco Ricciopo um dos coordenadores do projeto.

Certificação inovadora

A certificação do projeto Floresta Móbile é para o produto e não para a madeira e baseia-se em um processo denominado Certificação Comunitária Direta. Para implementá-lo, será criada, a partir da mostra em Milão, uma Cadeia de Custódia provisória, formada por comunidades das zonas rurais e de periferias, técnicos de várias áreas e instituições – a exemplo da Escola Italiana de Design, São Luís Convention & Visitors Bureau e Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento do Nordeste Brasileiro.

“A forma de produzir os móveis assegura, por exemplo, a não utilização de trabalho escravo e infantil, o comércio justo e um real trabalho de recomposição florestal”, afirma, Ricciopo “Possui, ainda, baixíssimo custo de implementação e um caráter inovador , se comparado à tradicional certificação de madeira, que muitas vezes transforma a floresta em mais uma comodity a ser exportada, sem nenhum ganho para as pessoas que estão ao seu redor”, declara. Tal ação está sendo acompanhada por técnicos do IBAMA-MA.

A comercialização das peças esta sendo iniciada, com parcerias junto a representantes internacionais para vendas e contatos na Europa, divulgação e apoios de revendedores com lojas nas cidades de Roma, Varese e Milão, que funcionarão como show rooms e espaço de promoção e de comercialização. A ITANE – Agência Italiana de Cooperação para Desenvolvimento do Nordeste - tem forte papel no contato com investidores italianos, arquitetos e grandes grifes de mobiliário internacional.

“O Floresta Móbile não inventa nada de novo, apenas mostra o caminho existente para que outros copiem o modelo e continuem o trabalho”, adverte Robson Oliveira, especialista em design e também coordenador do projeto. Insiste em que as linhas do projeto são as saídas possíveis para “o desastre no processo de desmatamento amazônico e a expansão do agro-negócio, quando a população tem de se deparar com o aumento global dos preços de alimentos. A cadeira Kioto representa um forma de produzir objetos que geram renda e promovem a produção agro-florestal de alimentos e madeira”, afirma.

Além de participar da mostra de móveis de design brasileiro em Milão, a cadeira Kioto e o documentário “Kioto morreu, viva Kioto”percorrerá amplo roteiro nacional e internacional como parte de debates sobre os rumos do design contemporâneo, a Amazônia e o desmatamento. Até o final de abril, o documentário e o protótipo da cadeira serão exibidos na favela de Scampia, em Nápoles; em junho, irão ao evento “Amazônia Brasil New York City 2008”, em Nova Iorque e serão exibidos em favelas do Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro.

website: Eubra - http://eubra.org/bni/ita/

Mais informações à imprensa:

Robson Oliveira
Conselho Euro-Brasileiro de
Desenvolvimento Sustentável
55.85.32425441/ 88144507/ 96168780
robson@eubra.org
www.eubra.org
Skype: robsonfone
MSN: robsonterra10@hotmail.com




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