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EUBRA D21
[ 20/10/2008 ]

Design ítalo-brasileiro contemporâneo é atração em Florença

Projeto Floresta Móbile, de móveis e objetos com sobras de madeira em comunidades de baixa renda do Norte e do Nordeste, é convidado para expor na Europa, no Festival da Criatividade.

Fortaleza (CE), Brasil, outubro de 2008 - O projeto Floresta Móbile, criado pelo Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra) e pelo Instituto Brasil Design 21, em parceria com a Escola Italiana de Design, vai participar do Festival da Criatividade de Florença, na Itália, de 23 a 26 deste mês, com uma mostra de móveis e objetos (Festival della Creativitá, em italiano). Pelo programa, arquitetos e designers brasileiros e italianos utilizam a sua criatividade para desenvolver peças originais de design contemporâneo para serem produzidas com baixa tecnologia e mão de obra intensiva de comunidades de baixa renda do Norte e Nordeste do Brasil.

Graças ao projeto, restos de madeira que não teriam outro uso a não ser virar carvão, aliados a sobras de tecidos, couro e outros materiais renováveis ou recicláveis, ganham um destino mais nobre ao serem transformados em móveis e objetos de design contemporâneo para ser comercializados no mercado internacional.

3 milhões de metros cúbicos de madeira queimados por ano só pra cozinhar.

Estimativas mostram que 3 milhões de metros cúbicos de restos de florestas e sobras de madeira são queimados anualmente e convertidos em carvão no Nordeste e Nordeste do Brasil apenas para cozinhar. A prática é uma das conseqüências do desmatamento promovido por madeireiras. Estudos indicam que a transformação das sobras de madeira em peças de design na região possam render cerca de 1 bilhão de euros por ano, triplicando a renda per capita das comunidades envolvidas na produção na região.

“Nosso trabalho está sendo desenvolvido nessa perspectiva social e, além disso, destinamos uma parcela do valor obtido com as vendas das peças para o plantio de espécies nativas em áreas desmatadas. Adotamos o conceito do objeto como conexão entre o homem e a natureza", declara o presidente do Eubra e idealizador do Floresta Móbile, o sociólogo, fotógrafo e designer Robson Oliveira.


Poltrona Kioto, atração do Festival da Criatividade

A grande estrela da linha de móveis e objetos de decoração social e ecologicamente comprometidos do Projeto Floresta Móbile, que inaugura um novo conceito de design para o século 21, é a poltrona Kioto – assim batizada em referência ao Protocolo de Kyoto. Criada por Robson Oliveira, junto com os arquitetos Marco Ricciopo e Uge Farina, da Escola Italiana de Design, a peça é feita com sobras de madeira, que normalmente são transformadas em carvão, em uma pequena marcenaria de Açailândia, no sul do Maranhão. Seu estofamento é produzido com fibras naturais trabalhadas por artesãs do bairro Pirambu, na periferia de Fortaleza. A Poltrona Kyoto foi lançada em mostra paralela ao 47º Salão do Móvel de Milão, em abril deste ano, e fez tanto sucesso que o Floresta Móbile acabou sendo convidado para expor sua linha no Festival da Criatividade de Florença, de 23 a 26 deste mês. Posteriormente, a mostra seguirá para a Universidade de Nápoles, em dezembro, iniciando uma turnê por vários países da Europa e Estados Unidos.

A comercialização das peças está sendo feita em parceria com representantes internacionais, que estão sendo credenciados pelas entidades responsáveis pelo projeto. Atualmente, há um show room das peças na cidade de Milão, contatos na Europa, divulgação e apoios de revendedores com lojas nas cidades de Roma, Londres e São Paulo, comprometidos com a comercialização.

Design como denúncia e alerta para o mundo

Em Florença, o Floresta Móbile apresentará outras peças que considera ícones do novo design para o século 21. Além da poltrona Kyoto, a seleção inclui a Luminária F.S.C - Floresta Seca e Condenada, produzida na periferia de Fortaleza com galhos secos do marmeleiro, pequena árvore do semi-árido cearense. A luminária é decorativa e tem a função de denunciar o FSC - Forest Stewardship Council, o conselho de manejo florestal, que tem certificado gigantescas monoculturas de eucalipto como sendo florestas sustentáveis. “O problema é que, na verdade, uma boa parcela desse eucalipto certificado acaba sendo utilizada apenas para abastecer siderúrgicas (na forma de carvão) e fábricas de celulose, que geram muito poucos empregos e enorme impacto sócio ambiental”, observa Oliveira.

Outra peça da mostra é o Banquete Sergio Rodrigues. Criado pela arquiteta Verônica Rodrigues, filha de Sergio Rodrigues, arquiteto designer de móveis e referência para o design sustentável contemporâneo, a peça faz uma homenagem ao pai. O projeto segue o conceito de reaproveitamento de madeira desenvolvido por Robson Oliveira, e a peça é produzida em uma pequena marcenaria do Ceará. Cada peça vendida gera o plantio de pelo menos quatro mudas de árvores nativas.
Na série que será exposta no festival, há ainda outra homenagem: o Bar Oscar-Athos, uma criação do arquiteto Augusto Puig, cujo nome deve-se ao fato de a peça ter sido inspirada nos volumes da parede externa do Teatro Nacional de Brasília, Obra de Oscar Niemeyer e Athos Bulcão.


Certificação Direta, uma proteção às comunidade e às florestas

Todas as peças seguem para a mostra italiana com um manifesto do Floresta Móbile pela vida, que inclui a proposta de um novo modelo de certificação direta de produtos naturais e artesanais: o selo ECO2I - Ecológico, Econômico, Includente. "Estamos empenhados na idéia de certificar o produto, e nunca a madeira ou as matérias-primas, que não geram emprego e nem agregam valor, queremos também que o processo sempre seja vinculado aos produtores locais e à comunidade", afirma Robson Oliveira.

Os produtos Floresta Móbile geraram um novo modelo de certificação. Trata-se de um conceito denominado Certificação Comunitária Direta, dada por meio de uma Cadeia de Custódia, composta por representantes das comunidades das zonas rurais e das periferias envolvidas na produção. Esse grupo inclui ainda técnicos de várias áreas e instituições, como a Escola Italiana de Design, Agencia Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento do Nordeste Brasileiro, EUBRA, IBAMA, entre outros. A certificação garante que os móveis e objetos produzidos, gerem de fato, emprego, renda, produtos de valor agregado e um processo de reflorestamento contínuo.

A idéia é que todos saiam ganhando: os produtores das comunidades de baixa renda, os consumidores e a natureza. Os coordenadores do Floresta Móbile estão dispostos a repassar a metodologia do projeto a outros grupos, para que a idéia seja aplicada em outras regiões e países. Robson Oliveira diz que o trabalho do EUBRA é feito dentro de um ciclo que aproveita o resíduo de madeira para criar o produto que é comercializado e transforma parte da renda em árvores novamente. "As ações sistêmicas do Floresta Móbile têm como objetivo criar uma barreira econômica de proteção à floresta", diz.

Contato no Brasil - Viviane Farina (5585) 32425441
Contato na Itália - Camila Martins – (3933) 45050628
E-mail – eubra@eubra.org





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