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Eubra
[ 21/04/2009 ]

Floresta Móbile volta a Milão em paralela de green design

Três novas coleções produzidas com sustentabilidade por comunidades do Norte e Nordeste do Brasil incluem luminárias movidas a energia solar e destacam-se ao lado de móveis e objetos assinados por reconhecidos designers brasileiros e italianos

São Paulo, abril 2009 – O Floresta Móbile, programa do Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra) que une a criatividade, técnica e emoção de brasileiros e italianos para transformar restos de florestas e sobras de madeira de cidades do Norte e Nordeste brasileiro em uma concepção de design inovador e sustentável, estará novamente em Milão este ano. Em mostra paralela ao 48º Salão do Móvel de Milão, de 22 a 26 de abril, na Itália, o programa apresentará as coleções Clima, Caipirinha com Pizza e Paisagem Brasileira.

As peças que compõem as três coleções são produzidas por artesãos e comunidades de baixa renda, reaproveitando madeiras nativas variadas e seu design tem inspiração em grandes nomes das artes e da cultura popular italiana e brasileira. “Estamos criando uma arte renovada, que sintetiza um novo design contemporâneo voltado para as contradições do século 21”, diz Robson Oliveira, presidente do Eubra e um dos principais criadores do Floresta Móbile.

A Coleção clima é composta por diversificados objetos de decoração e artísticos, tais como painéis, molduras e luminárias com LEDs, alimentados por energia solar. Entre as luminárias, a Cocar foi criada pelo estilista internacional de moda e designer Jum Nakao, intercalando madeira com retalhos de vidro e utilizando LEDs de baixo consumo energético e energia solar e/ou corrente alternada. Oliveira, que é sociológo e designer, compartilha o desenvolvimento desta peça com o arquiteto Augusto Puig. A produção industrial da Cocar é feita por pequenos artesões e marceneiros do Nordeste do Brasil (altura de 13 cm x 45 cm de diâmetro, com LEDs e baterias).

Também de design arrojado e com os mesmos princípios de produção e funcionamento da Cocar, a luminária Athos I (altura de 17 cm x 48 cm x 18 cm, com LEDs e bateria), tem design de Augusto Puig, e a Kyoto (altura 70 cm x 15 cm x 20 cm), desenhada por Oliveira, usa lâmpadas fluorescentes. Com criação e desenvolvimento assinados por Francesca Natale, Leopoldo Schetino e Oliveira, encontram-se na coleção outras peças como o porta-CD Reggiani (45 cm x 75cm x 8 cm ) e o painel decorativo Regiane ( 45 cm x 75 cm x 2 cm ), inspirados em trabalho do pintor abstrato Mauro Reggiani. Ainda criados e desenvolvidos por Oliveira, estão os Painéis Maranhão (50 cm x 40cm x 3 cm), igualmente decorativos e inspirados em formas naturais e padrões nativos do Sul do Maranhão. Mancebo, mesa de cabeceira, e porta-canetas, entre outros, figuram ainda na coleção.

Projetada para ser produzida de forma seriada por marceneiros de regiões de baixo desenvolvimento, a Coleção Clima busca educar e promover práticas de sustentabilidade real, produzindo objetos que geram emprego e renda, principalmente, fora dos grandes centros urbanos e promovem ações de impacto positivo no clima através de sistemas agro-florestais (mais informações abaixo).

Hotéis e escritórios corporativos formam o principal público alvo desta coleção que, em 2010, por ocasião dos 50 anos de Brasília, terá também painéis inspirados em obras de arte e prédios da capital brasileira e deverá percorrer o mundo fazendo uma grande campanha de educação e luta a favor do clima. Estão previstas as cidades de Tokyo, Estocolmo, Londres, Nova York, Sidney, Johannesburg e São Paulo.

A Coleção Paisagem Brasileira é uma antítese da Coleção Paisagem Italiana, criada em 1960 por Maximo Morosi, que foi um marco do design pós industrial. Adota um novo modo de design e produção que se contrapõe ao modelo pós industrial, com o uso prioritário e eficiente de matérias primas renováveis, mão de obra intensiva, associados a uma prática produtiva diretamente ligada ao reflorestamento. Compõe-se banqueta Sergio Rodrigues, projetada pela filha do arquiteto, Verônica Rodrigues, da Mangue Table e da cadeira Orgânica.

A Coleção Caipirinha com Pizza relança a poltrona Kyoto, que se tornou um dos ícones do Floresta Móbile, premiada no ano passado pelo Salão do Móvel em Milão e, junto com o Bar Oscar, faz sucesso na Itália, em revendas, tais como a Edra e Kartel (mais informações abaixo). Une-se ao mobiliário da coleção a cadeira Controprogetto que é a única produzida em Milão, por um grupo de arquitetos ex-alunos do Instituto Politécnico, com pedaços de madeira descartada e coletada na cidade.

Criado pelo Instituto Brasil Design 21 e pelo Eubra, em parceria com vários arquitetos brasileiros e italianos da Escola Italiana de Design, Instituto Politécnico, FAU-RJ e UNB, além de vários outros parceiros nacionais e internacionais, o programa Floresta Móbile prevê o aprimoramento dos produtos artesanais das comunidades de baixa renda em pequenas e médias cidades do Nordeste, e parcerias com redes de distribuição de móveis nacionais e internacionais para sua comercialização.


Carvão X 1 bilhão de Euros: uma troca possível

Segundo o presidente do Eubra, móveis e peças artesanais fabricadas com o que normalmente seria transformado em carvão, que é utilizado para cozinhar alimento nas comunidades carentes, com o Floresta Móbile são transformados em peças de arte.

Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, 3 milhões de metros cúbicos de restos de floresta e sobras de madeira resultam do desmatamento promovido por madeireiras e são queimados anualmente para produzir carvão, informa ele. “É uma alternativa mais barata para cozinhar alimento nas comunidades de baixa renda”. Se transformados em móveis e objetos de arte e decoração, e comercializados nacional e internacionalmente, esses restos poderiam render perto de 1 bilhão de Euros/ano, triplicando a renda per capita das comunidades vizinhas à Amazônia, nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí.

A nova proposta de design para o século 21 do Eubra visa a substituir os plásticos poluentes e, em certos casos, o alumínio da era pós industrial, pela madeira, fibras naturais e couro e outros produtos renováveis na a fabricação de objetos de decoração e mobiliário, na arquitetura e indústria.

A nova tendência de design que orienta o Floresta Móbile e vem conquistando importantes arquitetos italianos e brasileiros sintetiza-se em dois conceitos, adotados por Oliveira: o objeto deve fazer a conexão entre o Homem e a Natureza; e a forma de produção do objeto é mais importante que sua própria forma. O programa é voltado para a produção em regiões de baixo índice de desenvolvimento e uso intensivo de mão-de-obra. Além disso, valoriza técnicas tradicionais e busca ter sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Sobre os sistemas agroflorestais (SAFs)

Os coordenadores do Floresta Móbile trabalham com o governo brasileiro, o SENAI, grupos acadêmicos e empresariais italianos com o objetivo de transferir a tecnologia do projeto a outros grupos para ser reproduzido em regiões e países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. A idéia é que eles possam aproveitar a experiência brasileira do programa e dos SAFs como elemento de desenvolvimento regional gerador de empregos e capaz de ter impactos positivos na questão climática.

O projeto prevê, também, o reinvestimento de 3% do total obtido com as vendas dos produtos na produção de mudas de reflorestamento nativo e incentiva a produção de mobiliário como um subproduto de sistemas agroflorestais. Estes sistemas garantem segurança alimentar, alimentos orgânicos e fitoterápicos (ver leiaute).

O modelo de produção, previsto para pequenas propriedades, poderá garantir a criação de mais de 10 milhões de empregos no Brasil utilizando apenas as áreas desmatadas nos últimos 10 anos – cerca de 300.000 Km2. Seu manejo garantiria um impacto positivo na questão climática muito maior que a simples preservação da Floresta Amazônica. Além disso, esse modelo pode criar uma barreira econômica de proteção à Floresta e um abastecimento permanente de madeira para a indústria de móveis e construção civil, sem desmatamento.

Esses arranjos têm a virtude de garantir a segurança alimentar dos produtores envolvidos e com isso possibilitam a dedicação dos mesmos a atividades produtivas e manufatureiras voltadas ao incremento do comércio local regional e até internacional. Pesquisas do Eubra baseadas em estudos do BNDES, BNB, Embrapa, FAO e MDA mostram que atualmente a equação investimento/rendimento relativa à criação de gado, plantio de soja ou eucalipto voltado a carvão e celulose é extremamente desvantajosa do ponto de vista social e ambiental, e principalmente do econômico, quando comparamos com produção diversificada a partir de sistemas agroflorestais, de madeira e derivados, fruticultura, piscicultura, apicultura, biocombustíveis, etc. Por exemplo, a criação de gado possibilita uma renda de no máximo 300 dólares/ano por hectare enquanto um sistema agroflorestal pode render com madeira, móveis, e ou frutas entre 5 a 10 mil dólares/ ano por hectare.

Sobre a cadeira Kyoto

A cadeira Kyoto tem inspiração no painel de Athos Bulcão que decora o Teatro Nacional em Brasília e foi criada pelo sociólogo e designer Robson Oliveira e o arquiteto Marco Riccioppo. Seu projeto técnico foi desenvolvido pela Escola Italiana de Design. Feita a partir de sobras de madeiras nativas
variadas organizadas de forma aleatória, mede 70 cm (altura) x 80 cm
(largura) x 90 cm (profundidade).

Fabricada atualmente em uma pequena marcenaria em Açailândia, no sul do Maranhão, Brasil, a Kyoto pode ter revestimento de diversos tipos, inclusive os de fibras naturais e trabalhadas por artesãos.
Devido ao seu processo construtivo, sua produção é numerada. Simboliza o
conceito do Floresta Móbile de produzir belos objetos de artesanato
industrial e de mobiliário em estados do Norte e Nordeste do Brasil, com
grandes contingentes de população de baixa renda.


Sobre o Floresta Móbile

Floresta Móbile é um programa que trata o objeto como uma conexão entre o homem e a natureza. Multidisciplinar, reúne profissionais criativos em um modelo inovador de desenvolvimento sustentável para regiões pouco desenvolvidas. Aplicado no Norte e no Nordeste do Brasil, cria móveis e objetos de decoração com design inovador, gerando renda para comunidades locais de regiões agroflorestais. Desenvolvido pelo Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra), conta com o apoio da Escola Italiana de Design, Senai, Consulado e Embaixada brasileiros na Itália.

Website: www.eubra.org

Endereços de showrooms e vendas:
• Base da EUBRA, Fortaleza (CE), Brasil
• Arcarreda, Milão, Itália
• Tullierie, Nápoles, Itália
• Zona D, São Paulo (SP), Brasil

Dia 22 a 26 de abril, That’s Design/ Ex Industria – Via Forcella, 13 – Zona Tortona – Milão (IT)

Mais informações à imprensa:

Eubra/Floresta Móbile – Robson Oliveira - +39 338 991 7328 (IT)

Tel.: +39 338 991 7328 (IT) E-mail: eubra@eubra.org

Fotos:www.flickr.com/photos/37570886@N02/sets/721576

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